O crescimento evangélico nas metrópoles brasileiras costuma ser explicado pelo acolhimento oferecido a migrantes em situação de vulnerabilidade. A pesquisa de Raphael Corbi, Fábio Miessi e Tiago Ferraz mostra que a transformação é mais complexa: a chegada de novos moradores alterou a própria estrutura de oferta religiosa nas cidades.
Para separar o efeito da migração de outras mudanças sociais, o estudo acompanha deslocamentos provocados por oscilações nos preços internacionais de produtos agrícolas. Esses choques afetaram a renda em regiões produtoras e estimularam movimentos para cidades onde já existiam redes de contato.
O efeito da chegada
Nos municípios que receberam mais migrantes, a participação evangélica cresceu e a católica diminuiu. As estimativas indicam que a migração ajuda a explicar uma parcela importante da expansão evangélica observada entre 1980 e 2010.
A redução da renda local teve influência, mas não foi suficiente para explicar o resultado. O mecanismo mais forte apareceu do lado da oferta: denominações evangélicas abriram templos com rapidez, enquanto a estrutura católica respondeu de maneira mais lenta.
Escala, custo e presença urbana
Templos menores e mais baratos permitiram ocupar bairros em crescimento e ampliar o contato cotidiano com novos públicos. Nesse sentido, a capacidade de organização e expansão teve peso maior do que uma suposta sensibilidade especial da demanda religiosa à pobreza.
A conclusão não nega o papel comunitário das igrejas. Ela chama atenção para outra dimensão do fenômeno: entender o avanço religioso também exige observar custos, estratégias de presença territorial e a competição entre organizações.
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