Isenções tributárias para organizações religiosas são frequentes em vários países e ajudam a sustentar igrejas de diferentes tradições. Ainda assim, uma política formulada de modo geral pode gerar efeitos desiguais quando cada denominação opera com estruturas de custo distintas.
O estudo de Raphael Corbi e Fabio Miessi Sanches analisa registros de organizações religiosas brasileiras entre 1992 e 2018. A partir desses dados, os autores constroem um modelo de entrada e saída de templos e simulam como mudanças tributárias alterariam a composição do mercado religioso.
Uma assimetria pouco visível
Igrejas evangélicas tendem a abrir unidades em imóveis alugados, com investimento inicial menor e despesas operacionais recorrentes maiores. A Igreja Católica, por sua vez, costuma realizar investimentos elevados na construção de templos próprios e enfrentar custos correntes relativamente menores.
Como a imunidade tributária incide especialmente sobre despesas que se repetem ao longo do tempo, o benefício não afeta todos os modelos da mesma maneira. A política pode, portanto, acelerar a entrada de algumas denominações e modificar a diversidade religiosa disponível em cada localidade.
Mercado religioso e representação política
A expansão dos templos também se relaciona com a arena eleitoral. O trabalho encontra aumento posterior na votação de candidatos evangélicos em municípios que receberam novas igrejas, sugerindo que os efeitos institucionais ultrapassam o campo estritamente religioso.
O resultado reforça uma questão central para o Estado laico: políticas públicas formalmente universais precisam ser avaliadas por seus efeitos concretos. Neutralidade jurídica não garante, por si só, neutralidade econômica ou política.
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