A imagem do fiel evangélico como alguém necessariamente pobre e levado à religião apenas pela vulnerabilidade econômica não encontra apoio suficiente nos dados. A presença pentecostal cresceu em diferentes estratos sociais e se tornou especialmente relevante nas faixas intermediárias de renda.

Entre 1980 e 2010, a adesão avançou também entre os grupos de maior renda. O período de expansão mais intensa coincidiu, inclusive, com uma década de crescimento do emprego e da renda, o que enfraquece interpretações baseadas exclusivamente em crises materiais.

Uma oferta religiosa mais flexível

Parte importante dessa expansão está na multiplicação de templos simples, próximos das comunidades e administrados com autonomia. A abertura de novas igrejas passou a exigir menos capital, menos tempo de formação institucional e estruturas mais leves.

Esse modelo respondeu rapidamente ao crescimento urbano, enquanto organizações religiosas centralizadas enfrentaram custos maiores e mais dificuldade para ocupar novos territórios.

Um diálogo político sem caricaturas

O eleitorado evangélico reúne trabalhadores formais, empreendedores, profissionais e pessoas em condições econômicas muito distintas. Conversar com esse grupo significa reconhecer sua diversidade de experiências e aspirações.

Para os autores, a esquerda terá dificuldade em construir diálogo enquanto tratar a identidade evangélica como simples consequência da falta de oportunidades. A caricatura empobrece a leitura de um fenômeno que já atravessa toda a sociedade brasileira.

Este texto apresenta o conteúdo editorial do Observatório em formato de leitura.

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