Levantamento inédito do Observatório do Estado Laico identificou 4.802 normas municipais no Brasil que transferem a propriedade ou o uso de imóveis públicos para instituições religiosas entre 1995 e 2025.
Em 2.162 casos (45%), a destinação é exclusivamente religiosa, o que, segundo a entidade, é incompatível com a Constituição por representar financiamento público de cultos religiosos e igrejas.
Em 569 normas (11,8%), a finalidade declarada é social ou comunitária, sem destinação exclusivamente religiosa. Isso pode afastar a proibição constitucional, que protege colaborações entre o Estado e instituições eclesiásticas que atendam ao interesse público.
Nos outros 43,2% dos casos, não foi possível avaliar a adequação constitucional porque a legislação não especifica a finalidade do imóvel. Segundo a instituição, o levantamento analisou 40,5% dos municípios brasileiros, o que significa que o número de leis deve ser ainda maior.
Os resultados integram a primeira pesquisa do Observatório do Estado
Laico, iniciativa independente criada para monitorar a aplicação do princípio constitucional de laicidade. A organização reúne especialistas em direito e economia e pretende atuar em três frentes: pesquisa científica, advocacy e educação pública.
Este texto apresenta o conteúdo editorial do Observatório em formato de leitura.
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